05 Out 2019

O ex-presidente mais velho ainda vivo dos Estados Unidos

Jimmy Carter. 39º presidente dos Estados Unidos. E o ex-presidente mais velho ainda vivo. Embora seja difícil resumir uma vida de quase um século, o Mental Floss reuniu algumas curiosidades sobre um dos líderes humanitários mais reconhecidos a ocupar o cargo. Aos 95 anos, Carter – que nasceu em Plains, Georgia, em 1º de outubro de 1924 – é um dos presidentes mais lembrados dos EUA.

1. Não nasceu em berço de ouro
Nascido em Plains, Geórgia, em 1º de outubro de 1924, os primeiros anos de James Earl Carter não envolveram muitas das rápidas transformações tecnológicas que estavam ocorrendo em todo o país. Sua família se mudou para Archery, na Geórgia, uma cidade que dependia principalmente de carroças puxadas por mulas para transporte. Encanamento interno e eletricidade eram raros.

2. Peitou racistas
Depois que seu pai morreu em 1953, Carter recebeu alta honorária e se estabeleceu na fazenda de amendoins da família, onde se viu em conflito direto entre os preconceitos raciais profundamente arraigados do Sul e suas próprias visões progressivas de integração. Quando os moradores de Plains reuniram um “Conselho de Cidadãos Brancos” para combater leis anti-discriminatórias, Carter recusou a associação. Placas cheias de comentários racistas foram coladas em sua porta. Mas Jimmy não recuou. Na década de 1960, os eleitores estavam prontos para abraçar um político sem preconceitos e Carter foi eleito para o Senado do Estado. Até que descobriu que suas visões liberais não o levariam tão longe na Geórgia. Quando ele se candidatou a governador do estado em 1970, voltou atrás em muitas de suas opiniões anteriormente divulgadas sobre igualdade racial, levando alguns a declará-lo intolerável. No cargo, restaurou muitos de seus endossos para acabar com a segregação.

3. A entrevista para a Playboy
Poucos candidatos à presidência, se houver algum, tentaram obter apoio submetendo-se a uma intensa entrevista nas páginas da Playboy. Mas a proposta de Carter de 1976 foi uma exceção. Apenas algumas semanas antes de vencer a eleição, Carter admitiu ter “cometido adultério em meu coração” muitas vezes e que “olhava muitas mulheres com luxúria”.

4. Não tinha vaidade com o cargo de presidente
Quando assumiu em 1977, deixou claro que não se considerava superior aos seus eleitores simplesmente por causa do poder político. Ele vendeu o iate presidencial, que considerava um símbolo de excesso, e proibiu os trabalhadores de tocarem Hail to the Chief durante suas aparições.

5. A história do OVNI
Antes de assumir o cargo, Carter apresentou um relatório ao Comitê Nacional de Investigações sobre Fenômenos Aéreos, ou NICAP. Em 1969, escreveu, viu uma aeronave estranha no céu sobre Leary, na Geórgia. Prometeu divulgar todos os documentos lacrados que o governo havia coletado sobre OVNIs antes de ser eleito, mas depois voltou atrás na promessa citando preocupações de segurança nacional.

6. Instalou painéis solares na Casa Branca
Carter gastou tempo e esforço promovendo fontes de energia renováveis enquanto o mundo enfrentava uma crise de combustível. Para demonstrar seu compromisso, ordenou que os painéis solares fossem instalados nos terrenos da Casa Branca em 1979, décadas antes de tal prática se tornar comum. Os painéis foram usados para aquecer a água na propriedade. Ronald Reagan removeu os painéis em 1986 durante uma reforma do telhado.

7. Era um fã de cinema
E, como todo presidente, tinha acesso antecipado a muitos filmes – e ele fazia a média de dois por semana enquanto estava no cargo. Entre os mais vistos: Midnight Cowboy, de 1969, All the President’s Men, de 1976, e Caddyshack, de 1980. Também exibiu Star Wars, em 1977, para o presidente egípcio Anwar Sadat.

8. Boicotou a Olimpíada de 1980 
Depois que as forças soviéticas não atenderam seu pedido de retirar as tropas do Afeganistão, Carter deu um passo radical: impediu que atletas americanos competissem nos Jogos de 1980 em Moscou, a primeira vez que o país não participou da competição. Canadá, Alemanha Ocidental, Japão e cerca de 50 outros países seguiram o exemplo. Quando os Jogos foram para Los Angeles, em 1984, foi a vez da União Soviética se recusar a comparecer.

9. Foi atacado por um coelho
Antes de concorrer à (e perder) reeleição em 1980, decidiu pescar. Estava no barco quando um coelho selvagem pulou na água e nadou em sua direção. Carter espantou o animal com um remo. Embora tenha sido um incidente menor, uma foto sua afastando o coelho e vários cartoons editoriais deram a alguns eleitores a percepção de que ele era não era o adversário ideal para a poderosa União Soviética.

10. Ganhou o Nobel da Paz em 2002
Após décadas de trabalho filantrópico, incluindo uma parceria de longa data com a Habitat for Humanity, Carter recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2002. Na verdade, com um atraso de um quarto de século: o comitê do Nobel queria lhe conceder o prêmio em 1978, quando intermediou as negociações de paz entre Israel e Egito, mas o prazo oficial para indicação foi perdido.

Madrugada de 1969. Os integrantes da banda Yes param para uma saideira em um pequeno club em Londres. Neste exato momento, uma outra banda local subia ao palco.

Bill Brufford, baterista do Yes: “Entramos justo quando o King Crimson se preparava para começar a tocar, e tudo parecia muito formal, silencioso. De repente, foi como se uma fera poderosa e descomunal tivesse se libertado. Não lembrava nada que nenhum de nós já tivesse ouvido. Ninguém sabia o que era aquilo. A letra era diferente, a forma como os músicos se portavam era diferente, o som era diferente, uma luz estroboscópica deixava a cena ainda mais radical. Ficamos todos entorpecidos. Depois daquela noite, tudo o que eu queria fazer era sair do Yes e entrar para o King Crimson.”

Três anos depois e Brufford estava no King Crimson. Ficou por lá de forma intermitente por 25 anos.

Assim começa a primeira de uma série de duas longas reportagens da Rolling Stone sobre o impacto da 21st Century Schizoid Man na música. Uma influência que foi de Yes a Kanie West.

Michael Giles, primeiro baterista do King Crimson: “Eu sabia que estávamos fazendo algo diferente, senão único, ao misturar rock com jazz. Talvez fosse algo mais próximo de algumas músicas do Frank Zappa, não sei. Mas a combinação da voz de Greg Lake, a letra de Pete Sinfield, o rock pesado e o jazz, fizeram aquela música muito especial. Diferente do que se fazia em 69”.

21st Century Schizoid Man é a música de abertura de In the Court of the Crimson King, disco de estreia da banda. Ouça a versão de estúdio, ou assista uma versão ao vivo, quando o King Crimson abriu para um show dos Rolling Stones no Hyde Park, em Londres, no mesmo ano de 1969.

O King Crimson fecha o palco Sunset do Rock in Rio neste domingo, em uma formação com três baterias na frente do palco.

Literatura, sexo e rock and roll. A lista é de 2012, mas clássico é clássico e continua atual. Estas são as 25 melhores biografias de memórias do rock segundo a Rolling Stone. De Keith Richards e Patti Smith a Slash e Nikki Sixx. Destaque para Slash: Slash (2007): o livro brinca com a decadência. Boa leitura.

Fotos icônicas capturadas pelo FOTÓGRAFO DO ROCK (em capslock mesmo). Jim Marshall teve acesso irrestrito a alguns dos maiores músicos do século XX. Ele estava nos bastidores com Jimi Hendrix e Janis Joplin. Ele fez uma turnê com os Rolling Stones. Ele fotografou o último show pago dos Beatles.”Ele foi um dos pioneiros da fotografia musical”, disse Amelia Davis, sua assistente de longa data. “No meio, as pessoas o chamavam de ‘the godfather’ da fotografia”.

E o clima tá bom demais para uma playlist de clássicos. Do rock, pois o fim de semana pede. The Cure, Bowie e Prince, obviamente, estão na lista.

AS VEIAS ABERTAS DA ODEBRECHT NA AMÉRICA LATINA

“Aprendi a entrar em crise e sair de crise”, disse de certa feita o velho Norberto Odebrecht, fundador da maior construtora do país. Esta semana, a Caixa Econômica Federal pediu à Justiça que declarasse sua falência. “Temos de transformar a crise numa oportunidade”, seguiu o engenheiro explicando como via sua própria história. Quando, também esta semana, o presidente peruano Martín Vizcarra dissolveu o Congresso e convocou novas eleições, a crise tinha, no centro, a companhia brasileira. “É preciso ter mais coragem do que análise.” A empresa de Norberto nasceu de uma quase falência, viveu inúmeros ciclos econômicos e, camaleônica, aprendeu a operar no Brasil. Se reinventou, e assim construiu duas histórias. Uma, mítica. A outra, real. A mítica é de uma companhia disciplinada, criada na base do protestantismo prussiano, alemão. A outra é que sua história de alemã não tem nada. É de todo brasileira.

Emílio Odebrecht, o pai de Norberto, é da terceira geração nascida no Brasil. Seu bisavô, Emil Odebrecht, chegara da Prússia para uma Blumenau ainda por construir e cercada de índios, quando Santa Catarina era inóspita e, dom Pedro II, ainda menino. Fez-se engenheiro, Emilio — e muitos de seus filhos e netos se fizeram engenheiros. Ajudou a construir a cidade. Mas o pai de Norberto se mudou para o Recife quando, em meados da Primeira República, o açúcar dava dinheiro. Tinha não propriamente uma construtora — mas uma empresa que importava material de construção da Europa. Muito pouco se fabricava no Brasil dos anos 1920 e 30. Quando o açúcar declinou e o cacau subiu em importância nas exportações nacionais, Emilio pegou a família — o menino Norberto tinha 5 — e se mudou para a Bahia.

A educação foi mesmo alemã. Norberto teve por preceptor o pastor luterano que cuidava dos protestantes em Salvador. Não recebia mesada, mas salário — trabalhou desde pequeno na empresa do pai, fazendo-se peão, depois mestre de obras, antes de ser engenheiro. Só foi aprender português quando, aos 12, se matriculou na primeira escola. Estava já recém-ingresso na Escola Politécnica da Bahia quando a Segunda Guerra fez de um negócio baseado em importações vindas da Europa impossível. Emílio voltou quebrado para Santa Catarina, e um Norberto estudante, aos 21 anos, assumiu a empresa falimentar.

Foi quando de alemão aprendeu a ser brasileiro. Porque, naquele instante, Norberto Odebrecht precisou sentar-se para negociar com os credores do pai. Passou a década de 1940 no sufoco e trabalho intenso. Terminou as obras pelas quais o pai havia sido pago e não pôde entregar. Enquanto isso, estudava. Diploma na mão, obras entregues, caiu doente. Paratifo — quase dois meses na cama. Ali, decidiu começar a dividir a gestão da empresa com os funcionários. É uma marca do grupo até hoje esta descentralização. Ainda antes de os anos 1950 entrarem, a pequena importadora tornada construtora estava de pé quando ele assumiu o primeiro grande trabalho seu. Foi o prédio do Círculo Operário da Bahia, uma obra beneficente que tinha à frente a Irmã Dulce. O projeto era de Norberto e, a construção, seria lenta. A freira que será canonizada nos próximos dias lhe abriu portas para a elite baiana e também lhe apresentou técnicas de marketing. “Precisamos começar a obra pela fachada, assim as pessoas vão passar, ver que está crescendo, e querer nos ajudar.”

Crescimento, de fato, ainda demoraria. Mas em 1953 sua empresa foi contratada para construir um oleoduto para a Petrobras, criada naquele ano. E as conexões costuradas na elite baiana lhe foram importantes a partir do governo Juscelino Kubitscheck. É que, em 1959, foi fundada a Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste. Sudene. Em essência, dinheiro federal para obras de infraestrutura. E assim, na década de 1960, torna-se uma empresa regional de bom porte. A essa altura, as relações que aprendeu a cultivar começavam a se ampliar para além da Bahia. E foi assim que, duma nova crise criou outra oportunidade. Em 1969, a Sudene, principal fonte de financiamento para as obras que fazia, fechou as portas. Mas, no mesmo ano, outro luterano de ascendência alemã assumia a presidência da Petrobras — o general Ernesto Geisel. Geisel já coordenara partes da empresa e conhecia o negócio do petróleo. Por isso mesmo, conhecia Odebrecht. E foi a ele quem contratou para erguer o prédio sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Aos 48 anos, o bisneto de Emil Odebrecht ampliava os negócios para o sudeste do país e com uma obra que marcaria a arquitetura da antiga capital federal.

A lição que Norberto Odebrecht dominou entre os anos 1940 e aqueles princípios de 70 é que grandes obras, no Brasil, dependiam do governo. E que receber estes contratos dependia de relações. Até ali, a disciplina alemã e a gestão descentralizada o ajudara e entregar obras com qualidade. Enriquecia. Mas coisas como o prédio sede da Petrobras, na Avenida Chile carioca, eram seu limite. O Regime Militar ousava — Ponte Rio-Niterói, Itaipú, Transamazônica. Um prédio era café pequeno. “Eu não podia concorrer com a Camargo Corrêa, com os barrageiros”, ele contou certa vez. “O grande desafio era que essas obras eram de coordenação.” Não eram obras para uma só construtora, mas para várias, e só quem conseguia coordenar os serviços de inúmeras empresas simultaneamente encarava estas.

E este seria o caminho: primeiro o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e depois a Usina Nuclear de Angra dos Reis, Angra I. Obras de coordenação. Entre 1969 e 1974, a Odebrecht saltou de 19ª construtora do Brasil para 3ª. O petróleo era um grande negócio, as relações com a Petrobras sólidas, com o novo presidente da República Ernesto Geisel mais ainda, e o Brasil vivendo seu milagre. Que, claro, encontrou o fim ainda antes de a década encerrar. Só que, àquela altura, doutor Norberto já acompanhava ministros e generais nas comitivas para o exterior. Antes de a Ditadura acabar já fazia obras no Peru, no Chile, nos EUA e em Angola.

Fazer relações é uma arte. Norberto Odebrecht estava ao lado de Fernando Collor quando ele se elegeu pelo voto direto presidente. Em 1991, Emílio — este, seu filho — assumiu as operações seguindo os processos do pai. Norberto e Emílio estavam com Fernando Henrique Cardoso, entrando em tantas privatizações quanto puderam. E, em 2002, ainda durante a campanha eleitoral Emílio Odebrecht abria as portas do empresariado brasileiro para apresentar Luís Inácio Lula da Silva. Estabeleceram uma relação sólida.

Não houve presidente com quem tenham se dado mal, mas os períodos de grande crescimento foram na Ditadura e na Era Lula, entre 2003 e 2010. Marcelo Odebrecht, neto de Norberto, tetraneto de Emil, o terceiro a assumir a companhia já primeira do país, era o nono homem mais rico do Brasil quando foi preso, em 2015. A companhia empregava 175 mil funcionários em 25 países. O velho Norberto morreu em 2014, aos 93 anos. A Lava Jato já estava nas ruas, mas ainda não se falava do grupo.

A história da Lava Jato no Brasil tem também outro nome — é o escândalo do Petrolão. A relação com a Petrobras deu à empresa de Norberto, Emílio e Marcelo sua primeira obra com o governo federal, um oleoduto. Depois, sua primeira obra relevante fora do Nordeste — o edifício-sede da estatal. E em inúmeros contratos com ela se baseou o boom de durante o governo Lula.

No resto da América Latina, porém, a Lava Jato não é um escândalo que tem no centro a Petrobras. No centro está a Odebrecht.

No Peru, a Odebrecht pagou, entre 2005 e 14, US$ 29 milhões em suborno em troca de US$ 143 milhões em contratos. Na Argentina, foram US$ 35 milhões em suborno entre 2007 e 14, por US$ 278 milhões em contratos. Na Venezuela, US$ 98 milhões por um número desconhecido em obras. Ao todo, a empreiteira distribuiu US$ 788 milhões em propinas para os governantes de 11 países, incluindo o Brasil. Lima foi inteiramente renovada neste período. Não era possível passar por Caracas no auge do governo Hugo Chávez sem ver por toda parte o maquinário gigante pintado em vermelho com em branco escrito — Odebrecht. Os números são todos das delações oficiais feitas por executivos do grupo.

Em nenhum destes países o rastro de prisões teve tanto impacto quanto no Peru. Dois ex-presidentes presos, um foragido, um quarto respondendo ao processo em liberdade, a líder da oposição igualmente presa. Alan García, um quinto presidente, cometeu suicídio quando a polícia bateu a sua porta. Na Colômbia, a coisa foi mais leve — 20 funcionários públicos presos, um senador e o braço direito do presidente Juan Manuel Santos. Na Venezuela, que já não é democracia faz tempo, é compreensível que nada tenha ocorrido. Mas, na Argentina, tampouco ocorreu qualquer movimento. Uma das razões é que, no país, delações premiadas de pessoas físicas e acordos de leniência de empresas não são previstas por lei. Desta forma, as denúncias e provas de corrupção estão enguiçadas no Judiciário. Com o retorno de peronistas-kirchneristas ao poder, muitos dos acusados de corrupção devem voltar.

Mesmo que seja desigual, o portentoso crescimento da Odebrecht à base de relações — no fim das contas, um eufemismo para corrupção — trouxe algo inédito para o continente. Gente poderosa sendo presa. Trouxe também um rastro de polêmicas e questionamentos sobre a legalidade de muitas destas prisões. Norberto, que não viu nada disso, dizia que aprendera a sobreviver a crises. Desta, parece que será difícil sair.

E PARA FECHAR A EDIÇÃO, OS LINKS MAIS CLICADOS POR NOSSOS LEITORES ESSA SEMANA:

1. Meio: Como se tornar um Pioneiro do Meio.

2. El País: Lizzo, a flautista e estrela do pop que não tem “tempo para bobagens”.

3. G1: ‘Listras do aquecimento global’ mostram como o mundo está cada vez mais quente.

4. SpotifySons da natureza. Uma playlist para para estimular a concentração.

5. Twitter: O Panic! At The Disco se atreveu a tocar Bohemian Rhapsody no Rock in Rio.

Fonte: @Meio

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