09 Set 2019

Reação a censura dispara vendas na Bienal do Rio

O presidente do Supremo, Dias Toffoli, cassou ontem pela manhã uma decisão do TJ do Rio que permitia à Prefeitura censurar um livro em quadrinhos da Marvel no qual dois homens se beijam. O desembargador Claudio Mello Tavares havia permitido que fiscais recolhessem a obra na Bienal do Livro seguindo ordens do prefeito Marcelo Crivella. A reação ao ato do prefeito foi imediata. Um total de quatro milhões de livros foram vendidos, e a o disparo em vendas ocorreu justamente quando Crivella fez seu avanço. Foi um crescimento de 60% ante a edição anterior, em 2017. Só o youtubber Felipe Neto comprou e distribuiu, gratuitamente, 14 mil livros sobre a temática LGBT. Ao menos 70 autores assinaram um manifesto contra a censura. (Globo)

Vinicius Mota: “Marcelo Crivella e Jair Bolsonaro aumentaram a dose de atenção à sua base eleitoral evangélica, como ficou claro neste Sete de Setembro. Presidente e prefeito veem-se acossados pela impopularidade, bem mais aguda no caso de Crivella, e reagem para evitar o contágio em segmentos mais fiéis. A diretriz faz sentido, sem deixar de ser também arriscada. Mas enfocar a minoria é sempre um dilema para políticos que dependem de apoio majoritário para continuar no jogo. Nesse tabuleiro, a mensagem contra a diversidade sexual não parece o movimento mais eficaz. De cada quatro consultados pelo Datafolha na véspera do segundo turno de 2018, três concordaram que a homossexualidade deve ser aceita. Mesmo entre os evangélicos (57%) e os eleitores de Bolsonaro (67%), a aceitação supera a rejeição. A avalanche de reações ao ato homofóbico de Crivella explicitou os custos da aventura.” (Folha)

Hamilton Mourão deve ocupar a Presidência até quinta-feira, quando Bolsonaro volta ao cargo após ter-se submetido, ontem, a uma cirurgia para correção de hérnia causada pelas intervenções que ocorreram após a facada. A operação durou cinco horas e o presidente não precisou passar pela UTI — foi direto ao quarto. Ele passa bem. (G1)

Nova reportagem baseada nos arquivos da Vaza Jato, publicada ontem pela Folha, mostra os bastidores na força-tarefa em Curitiba que levaram à divulgação da gravação entre os ex-presidentes Lula e Dilma, antes do impeachment, em março de 2016. Pela discussão entre os procuradores a respeito das conversas de Lula que foram interceptadas, ele vinha mantendo diálogo com o então vice-presidente Michel Temer durante o movimento pelo impeachment. “Ninguém ganhou com a manifestação”, disse Lula, tratando de uma das passeatas contra o governo. “Quem ganhou foi o combate à corrupção, sempre um alimento para golpistas no mundo inteiro.” Lula defendia que a classe política tinha de se unir para recuperar espaço, citando também Marta Suplicy, Aécio Neves e Geraldo Alckmin. No mesmo passo, Temer punha-se à disposição para o diálogo. A interpretação dada por Folha e Intercept é de que as gravações não divulgadas deixariam claro que Lula resistiu em aceitar o convite para se tornar ministro e que ele tinha empenho em reaproximar o governo do MDB. A Lava Jato argumentava que Lula tinha como objetivo travar as investigações, transferindo seu caso para o STF pelo foro privilegiado de ministro. De acordo com o jornal, Lula só tratou da mudança de foro numa conversa com seus advogados. Não publicaram o teor da conversa. (Folha)

Memória: O então juiz Sergio Moro deu ordens de publicar a conversa entre Lula e Dilma por conta de um trecho. Nele, Dilma falava: “Tô mandando o Bessias junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?” A interpretação do juiz era de que só usar em caso de necessidade sugeria que era só para a possibilidade de precisar ficar longe da alçada de Moro. Outras conversas também foram divulgadas naquele dia. Em uma, com o então governador do Piauí Wellington Dias, Lula afirma que não estava indo para o governo se proteger e que tinha planos de pacificar a política. Noutra, com o então ministro da Casa Civil Jaques Wagner, o ex-presidente pedia uma intervenção de Dilma junto à ministra Rosa Weber, do STF. “Quem sabe uma mulher corajosa possa fazer o que os homens não fizeram?” Não fica claro que tipo de pedido ele queria que a presidente fizesse à ministra. A decisão de divulgar o diálogo com Dilma levou a que Moro fosse repreendido pelo ministro Teori Zavascki, também do Supremo. “Foi precoce e pelo menos parcialmente equivocada a decisão do juízo.” (G1)

Elena Landau, economista: “O programa econômico anunciado pelo ministro Paulo Guedes na campanha avalizou uma candidatura arriscada. Muita gente queria votar anti-PT, mudar os rumos da economia, e confiou nessa assessoria do Guedes. Na época, foi dito que o governo iria arrecadar R$ 1 trilhão com a venda de estatais, outro R$ 1 trilhão da alienação dos imóveis e também haveria um pouco de concessões. Era um valor que resolveria todos os problemas do Brasil. Quando o governo começa, não se anuncia praticamente nada em relação a um grande pacote de política econômica. O foco é exclusivamente a Reforma da Previdência. Tivemos choques externos, como a crise argentina ou a tragédia de Brumadinho, mas acho que a paralisia em torno da Reforma da Previdência fez muita gente adiar investimentos. Começamos o ano com previsão de crescimento de 2,5%, e hoje esta cifra está entre 0,8% e 1%. Exatamente num governo que todo mundo achava que ia decolar. Está cada vez mais claro que esse não é um governo liberal. É autoritário e com atraso no patamar civilizatório, com risco às instituições democráticas. Tem propagado preconceitos. Por isso, acho que o liberalismo está ficando cada vez mais forte. Nunca vi um momento tão propício para discutir liberalismo e políticas progressistas dentro do liberalismo. A população está muito menos preocupada se tem abertura comercial ou aumento de produtividade, mas está atenta a temas como educação e mobilidade social. Esse governo não está preocupado com essas coisas.” (IstoÉ)

COMECE O DIA COM TODO GÁS

Os itens da sua mesa podem prejudicar sua produtividade? Especialistas dizem que sim. Seja criando uma bagunça que dificulta encontrar o que você precisa ou fornecendo uma distração que atrapalhe o foco. Um estudo da UCLA descobriu que, quando estamos em um espaço confuso, nossos níveis de cortisol aumentam e, consequentemente, os níveis de estresse. A desordem sobrecarrega os sentidos, levando à distração e a incapacidade de se concentrar. O americano médio passa 2,5 dias por ano procurando itens perdidos, de acordo com um estudo do aplicativo de localização Pixie. Mas o que manter na mesa? “Nada – ou pelo menos o mínimo possível”, diz Erin Clark, que escreve o blog de produtividade Refined Revelry. Na maioria das vezes, a mesa dela tem apenas o computador – e provavelmente uma xícara de café. A Lucidchart, uma plataforma de gerenciamento de projetos, entrevistou recentemente mais de 1.000 funcionários de escritórios dos EUA e comparou as mesas de “empreendedores” produtivos com os menos produtivos. As pessoas produtivas têm 9% a mais de chances de manter em suas mesas anotações, 9% a mais chances de ter uma foto de seus filhos e 8% a mais chances de manter lanches saudáveis . Manter o celular escondido também é essencial. É difícil, mas a produtividade aumenta.

Como pessoas super ocupadas e em cargos de liderança gerenciam o tempo com suas equipes: 5 dicas. 1. Tudo isso se resume a agendar o dia e deixar espaços para uma atenção especial à equipe. 2. Realizar reuniões semanais: “Para garantir que todos os membros sejam ouvidos, organizo breves reuniões semanais nas manhãs de sexta-feira. Gosto de usar esse período como um fórum aberto para trocar ideias e resolver problemas gerais”, diz Kristin Kimberly Marquet, fundadora do Fem Founder. De acordo com Marquet, qualquer bom gerente deve sempre manter a porta aberta e estar disponível para agendar um horário para conversar em particular, não importa se eles têm um problema pessoal ou profissional que precisam discutir. 3. Use plataformas de mensagens instantâneas. 4. Organize almoços em equipe. “No passado, lutei para conciliar o ‘tempo de foco’ necessário para realizar muitas tarefas importantes e difíceis, mantendo também uma comunicação constante com o resto da minha equipe”, relata Bryce Welker, CEO da Crush the CPA Exam. “Atualmente, o método mais eficaz que encontrei para realizar essas duas coisas é realizando almoços. 5. Gerenciar a percepção. “Se você é um gerente ocupado, não é um bom gerente”, diz Diego Orjuela, CEO da Cables and Sensors. “Apesar de um cronograma agitado, gerenciar a percepção é de importância crucial, porque sua equipe precisa saber que pode confiar em você, mesmo sob pressão.”

Estas músicas te deixarão concentrado, dizem neurocientistas.

VIVER

Em 2019, o desmatamento na Amazônia brasileira quase dobrou no período entre janeiro e agosto quando comparado a 2018. Foram 6,4 mil km2 frente a 3,3 mil km2. Os níveis vinham se mantendo estáveis nos últimos anos até que disparou a partir de maio. O temor dos especialistas é de que atinja 10 mil km2 até o fim do ano, voltando ao nível de 2008. Os números são do Inpe.

Aliás… O grupo sueco H&M, segundo maior varejista do mundo, afirmou que deixará de comprar couro brasileiro em resposta às queimadas.

CULTURA

E o Leão de Ouro de melhor filme do festival de Veneza foi para Coringa (Joker), de Todd Philips  O cineasta recebeu o prêmio junto a Joaquin Phoenix, que faz uma extraordinária interpretação do célebre vilão no filme. É a primeira vez que um longa sobre um personagem dos desenhos de super-heróis obtém o reconhecimento mais importante de um dos festivais mais prestigiados do mundo.

COTIDIANO DIGITAL

A edição que começou a circular na sexta-feira da revista The New Yorker traz uma longa reportagem de Ronan Farrow sobre como o MediaLab do MIT trabalhou para esconder uma doação feita por Jeffrey Epstein — o bilionário que já havia sido condenado por pedofilia. Farrow se tornou conhecido pelas exposés que levaram ao movimento Me Too em Hollywood, incluindo o mais conhecido deles, do produtor Harvey Weinstein. Seu alvo, desta vez, foi o diretor do MediaLab, Joi Ito. Ito é um nome importante no Vale do Silício, investidor conhecido pela habilidade de perceber o futuro da tecnologia. No MediaLab, principal centro de pesquisa digital fora do Vale, havia divisão sobre se ele havia rompido algum princípio ético por aceitar doações de predadores sexuais conhecidos. Após a reportagem de Farrow, Joi Ito renunciou ao cargo.

A comunidade segue dividida. Larry Lessig, o maior advogado de direito e tecnologia, defende o amigo. Ele, que é sobrevivente de abuso na infância, argumenta que obter o volume de doações para manter um laboratório de excelência é muito difícil e vê a decisão de tornar anônimo não como uma tentativa de esconder, mas como método comum para que o criminoso não possa limpar o nome pela filantropia. “O MIT ficou menor agora que Joi se foi. Será que sua perda para o MIT vale o que ‘a causa’ ganhou?” Kara Swisher, a mais respeitada jornalista do Vale, critica Ito pesadamente. Como em um dos e-mails o ex-diretor se referia Jeffrey como ‘aquele cujo nome não deve ser dito’, aludindo ao vilão de Harry Potter, Swisher percebeu ironia e sensibilidade onde não devia haver de tão sério o crime. “De todos os detalhes terríveis perpetrados por Joichi Ito e seus minions, talvez dar a um pedófilo o apelido de um personagem num livro infantil seja o pior.”

Fonte: @Meio

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