12 Set 2019

Desejo de CPMF derruba diretor da Receita

O presidente Jair Bolsonaro demitiu, ontem, o diretor da Receita Federal, Marcos Cintra. O anúncio foi feito pelo próprio presidente, num tuíte redigido num raro tom de formalidade. “Tentativa de recriar CPMF derruba chefe da Receita”, escreveu em capitulares. O texto afirma que Cintra foi exonerado pelo ministro da Economia Paulo Guedes a pedido, por divergências no projeto de reforma tributária. No tuíte, Bolsonaro afirmou que uma nova CPMF está fora de seu projeto. O auditor fiscal José de Assis Ferraz Neto assumirá interinamente. (Poder 360)

O presidente teria pedido que o tema da CPMF não fosse esmiuçado enquanto ele estivesse internado. Cintra teria o desobedecido, coisa que o irritou, informa o Painel. Em entrevista dada à Folha no último dia 3, Bolsonaro havia considerado a possibilidade de recriar o tributo. “Para ter nova CPMF”, afirmou, “tem que ter uma compensação para as pessoas.” (Folha)

O desgaste entre Cintra e o presidente é antigo, lembra Andréia Sadi. Pegou mal quando ele deu entrevista sugerindo que a nova CPMF atingiria até o dízimo das igrejas evangélicas. O ruído com o Congresso também era alto, pois criticara os parlamentares nas redes. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, chegou a afirmar que não lidaria com Cintra como interlocutor para a reforma tributária. Não bastasse, a irritação de Bolsonaro com o que considera ser uma devassa da Receita contra seus familiares persiste. (G1)

Ao todo, entre os gabinetes parlamentares de Jair, Flávio e Carlos Bolsonaro, 17 parentes de Ana Cristina Valle, a segunda mulher do presidente, foram empregados. A descoberta da rede de nepotismo, realizada pelo Ministério Público, agora se concentra em descobrir se as pessoas devolviam parte ou mesmo a íntegra de seus salários à família. (Época)

Uma investigação interna da Polícia Federal aponta que o delegado Leonardo Tavares, da Delegacia de Repressão a Crimes Previdenciários no Rio, teria incluído indevidamente numa investigação “Hélio Negão”. A instituição não sabe, ainda, se é o próprio ou um homônimo do deputado federal eleito como Hélio Bolsonaro. A suspeita é de que a inclusão indevida teria ocorrido para desgastar o superintendente do órgão no estado, Ricardo Saadi, e de fragilizar o diretor-geral, Maurício Valeixo. (Estadão)

De acordo com um relatório do Coaf, entraram na conta do deputado federal David Miranda, marido do jornalista Glenn Greenwald, R$ 1,3 milhão. Considerada atípica pelo órgão, que sugere ‘suspeita de ocultação de origem’. O relatório foi enviado ao Ministério Público do Rio dois dias depois de o site The Intercept Brasil começar a publicar os vazamentos de conversas entre procuradores da Lava Jato. O juiz Marcelo da Silva, da 16ª Vara de Fazenda, negou quebra de sigilo bancário, pedindo que o deputado e alguns de seus assessores sejam ouvidos antes. (Globo)

Do montante, pouco mais de a metade vem de depósitos, R$ 347 mil são resgates e R$ 216 mil, transferências. Chamou atenção dos técnicos que um grande número de depósitos tenha sido feitos em valores entre R$ 2.500 e R$ 5.000, alguns na mesma data, e realizados por funcionários do gabinete do deputado. Na última eleição, Miranda afirmou ter patrimônio de R$ 353,4 mil. Os investigadores suspeitam da prática de rachadinha. (Folha)

Miranda gravou um vídeo que publicou no Twitter. “É retaliação, o nome”, ele afirma. “Não me escondo, não sou Flávio Bolsonaro, não sou Michelle Bolsonaro, não sou Queiroz. Estou levantando o material e tudo será levado ao juiz. Duvido se a família Bolsonaro faria o mesmo.”

Greenwald também publicou um vídeo, no YouTube. “Queria discutir com vocês a retaliação mais patética, mais óbvia, em resposta a nossa reportagem da Vaza Jato”, ele diz. “É muito irônico que um tema principal de nossa reportagem é que o MP abusa de seu poder, vazando informações contra seus adversários, usando veículos da mídia”, segue. “Meu salário, tenho um pouco vergonha para falar isso, é muito maior do que as quantias que O Globo disse que David está recebendo na conta dele”. O jornalista também afirma ter outras fontes de renda, incluindo livros que são best sellers internacionais. A história, às vezes com mais detalhes, foi publicada por todos os grandes veículos de imprensa.

Memória: No caso do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, o que há de concreto é a movimentação de R$ 1,2 milhão — que inclui entradas e saídas da conta. A suspeita de rachadinha — contribuições forçadas por funcionários de gabinete — nasce de uma sequência de 48 depósitos realizados em valores baixos. (G1)

A Corte de Sessão, mais elevado tribunal escocês, declarou ontem que a suspensão do Parlamento decretada pelo premiê britânico Boris Johnson é ilegal. Por unanimidade, os ministros consideraram que BoJo agiu com “o propósito impróprio de obstruir o Parlamento”, evitando debate sobre o Brexit. “Trata-se de um caso no qual não houve comportamento nos padrões geralmente aceitos para autoridades públicas”, afirmou um dos juízes. Segundo a decisão, Johnson ludibriou a rainha ao pedir a suspensão. Há recurso, que deverá ser feito à Suprema Corte britânica. (BBC)

CULTURA

A Era Pinochet foi lembrada ontem nas redes sociais por conta do golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 no Chile. O livro Así se Torturó en Chile (1973-1990), do jornalista Daniel Hopenhayn, reúne os principais trechos do documento e explica os antecedentes históricos da tortura praticada durante os 17 anos da ditadura de Augusto Pinochet.”Quase todas as mulheres que foram torturadas no Chile desde a data, há exatos 46 anos, sofreram também violência sexual, sem distinção de idade. Pelo menos 316 foram estupradas, incluindo 11 que estavam grávidas. Do total das vítimas que depuseram entre 2003 e 2004 na Comissão Nacional sobre a Prisão Política e Tortura, 12,5% eram mulheres (3.399). Dessas, 229 esperavam um filho, e algumas o perderam; outras deram à luz após serem estupradas por seus torturadores, e muitas passaram por intrincadas e recorrentes tortura sexuais que incluíam agressões físicas e humilhações diante de pais e irmãos” (El País)

Registro de bailarinos da Companhia de Dança Contemporânea Peacock da China realizando o Rito da Primavera de Yang Liping, durante o Festival Internacional de Dança Contemporânea em Moscou. E outras fotos que marcaram as últimas 24h no mundo.

Os 25 filmes que você precisa ver antes de morrer segundo o crítico Luiz Carlos Merten. Na lista, o premiado E o vento levou, de Fleming – – uma grande lição de cinema narrativo, uma apaixonante personagem feminina (a Scarlett O’Hara de Vivien Leigh) e pesquisas de cenário e profundidade de campo que inspiraram Orson Welles em Cidadão Kane. Disponível no Youtube.

Vídeo. O Spoon tocou uma versão de Isolation, do álbum Plastic Ono Band, de John Lennon, no The Howard Stern Show. Escute.

VIVER

O MEC anunciou que vai reativar este ano e no ano que vem 3.182 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado que haviam sido cortadas pelo governo federal. A nova oferta foi negociada com o Ministério da Economia e os benefícios serão repassados para pesquisadores ainda em 2019. Com isso, o orçamento da Capes para 2020, que estava previsto em R$ 2,48 bilhões, passa para R$ 3,05 bilhões.Essas bolsas reativadas estão relacionadas a programas de pesquisa com os maiores indicadores na avaliação da Capes, 5, 6 e 7.

Fazer uma pausa na rotina para tirar uma soneca pode diminuir os riscos de ataques cardíacos e derrames. É o que aponta um estudo publicado nesta semana no periódico Heart. Pesquisadores do Hospital Universitário de Lausanne, na Suíça, monitoraram mais de 3,4 mil suíços ao longo de mais ou menos cinco anos para entender como eram seus hábitos de sono diurno. Eles então compararam essas informações com a quantidade de doenças cardiovasculares que aquelas pessoas apresentaram no período. E os dados apontam para uma diminuição substancial no risco de infartos, paradas cardíacas e derrames.Mas que fique claro: o efeito só é observado quando a soneca é praticada com moderação.

COTIDIANO DIGITAL

Foi à sanção, e o governador Gavin Newsom diz que vai assinar, então será lei na Califórnia: empresas como Uber e sua principal rival americana, a Lyft, terão de tratar os motoristas como funcionários, com direitos trabalhistas. Entrará em vigor no próximo 1º de janeiro. Não vale apenas para os apps de transportes. A Care.com conecta cuidadores — de crianças a idosos — com quem os procura. A FancyHands oferece trabalhos de assistente executivo. E vai além das apps. De camareiras em hotéis a manicures em salões, inúmeras pessoas cujo serviço faz parte do negócio primário do contratante não poderão mais ser terceirizados. Lá, as leis trabalhistas não são tão rígidas quanto no Brasil. Garantem um valor mínimo por hora de trabalho, pagamento pelos dias de doença, hora extra, e direito a seguro de saúde além de alguns outros benefícios.

A briga não será simples. O diretor jurídico da Uber, Tony West, afirmou que sua empresa não será atingida pela nova lei. “A lei não trata de motoristas de apps”, ele afirmou. “O negócio da Uber é servir como uma plataforma tecnológica para vários mercados digitais”, afirmou, sem citar exemplos como o Uber Eats. Seu argumento é de que está no ramo de intermediar encontros, não oferecer transporte. O advogado vai além. “Se motoristas virarem empregados, terão de trabalhar por turnos, não poderão escolher horários.” Quando perguntado se isto não terminará numa briga jurídica, West foi sucinto. “Este é o motivo pelo qual tenho um emprego.”

A Califórnia é o maior dos estados americanos. Pelo menos três outros planejam apresentar leis semelhantes: Nova York, Washington e Oregon. Outros devem seguir.

É um frame, um quadro numa fração de segundo — ou um easter egg. Um ovo da páscoa, se traduzido literalmente, ou só uma surpresa. A Apple preparou um vídeo de dois minutos compactando o essencial de seus anúncios da terça-feira. Cravado em 1:25 a tela repentinamente fica azul, mas quem assistir sem pausar sequer o vê. Quando fica azul, aparece um código binário. Para quem o traduz: “Você se deu ao trabalho de traduzir? Nós amamos você.”

Em tempo: o link do vídeo, que dispara em 1:24. Clique pause rápido.

Fonte: @Meio

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