15 de Junho de 2020

VIVER

O receio com uma segunda onda de contaminação tem dominado os países. Na China, Pequim está restabelecendo medidas de lockdown. Hoje, foram notificados 36 novos casos de Covid-19 na capital chinesa, elevando o número total para 79, maior número em quase dois meses, segundo a Comissão Nacional de Saúde. Os casos estão ligados ao mercado de alimentos na cidade, que está fechado desde sábado.

Os EUA também têm registrado números recordes de hospitalizações e novos casos em vários estados que flexibilizaram as quarentenas nos últimos dias. Em todo o país, foram registrados mais de 25 mil novos casos até sábado (13).

Em números absolutos, o Brasil é, desde sexta-feira, o segundo país no mundo com mais mortes por covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, que contam 115,5 mil óbitos, de acordo com os números da Universidade Johns Hopkins atualizados até 20h deste domingo.

O Brasil soma 43.389 mortes por Covid-19 e 867.882 casos confirmados, segundo levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde. Nas últimas 24 horas foram registrados 598 óbitos e 17.086 novos casos. Já o Ministério da Saúde registrou 17.110 novos casos e 612 mortes nas últimas 24h.

Desde o começo da pandemia, ao menos 409 pessoas morreram dentro de casa com suspeita ou confirmação de covid-19 na cidade de São Paulo. Os números, referentes ao período de 16 de março a 21 de maio, representam 6,1 mortes em domicílio por dia, mais do que o dobro da média de mortes diárias em domicílio por problemas respiratórios observada em cinco anos anteriores, segundo levantamento do Estadão.

Ainda sobre São Paulo… O relaxamento da quarentena no estado poderá provocar um aumento de 71% no número de mortes até o início de julho, segundo projeções de um grupo de pesquisadores da USP e da FGV. A flexibilização deve causar 10.300 mortes, frente as 5.500 que ocorreriam caso a quarentena fosse mantida.

No dia 1º de julho, os motoboys de todo o País vão parar por melhores condições de trabalho em meio à pandemia de Covid-19.

Os protestos antirracistas nos EUA voltaram a ocorrer no domingo depois de mais uma morte de um negro por um policial branco. Rayshard Brooks foi baleado duas vezes nas costas em um estacionamento de um fast food em Atlanta. Vídeos do incidente mostram que Brooks teria reagido a tentativa de prisão por suspeita de dirigir embriagado. O policial que matou Brooks, identificado pela polícia como Garrett Rolfe, foi demitido e um segundo policial envolvido no encontro, Devin Brosnan, foi afastado.

ECONOMIA

Os estados devem sair da crise ainda mais endividados. Com o socorro, os governos estaduais foram liberados de pagarem as dívidas com a União, bancos públicos e organismos internacionais até o fim de 2020. Mas eles terão que reincorporar esse débito ao saldo restante dos contratos no início de 2022, o que aumentará o valor da dívida e pressionará o caixa dos governadores em pleno ano eleitoral. E, até lá, não se sabe ainda se a arrecadação já terá retomado os patamares pré-crise. (Estadão)

Os governos estaduais têm defendido que vão precisar de uma ajuda adicional. Segundo os cálculos da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, o repasse de R$ 60 bilhões equivale a 40% do que será perdido pelos Estados em arrecadação neste ano. Os R$ 2,5 bilhões do Rio, por exemplo, que é um dos mais endividados pré-crise, não vão cobrir a sua perda que deve ficar em torno de R$ 10 bilhões. (Estadão)

Então… O rombo da União, dos estados e municípios deve chegar em R$ 912,4 bilhões em 2020, segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado. No cenário atual, o Brasil só voltará a ter contas no azul em 2033, somando quase duas décadas de rombos sucessivos desde o primeiro ano de déficit, em 2014.

As empresas vão perder US$ 5 trilhões em receita até o final do ano. A estimativa é da agência de classificação de riscos Fitch Ratings sobre o seu portfólio mundial. Em 2021, a situação não deverá melhorar, com quedas previstas de mais US$ 3 trilhões. Os segmentos mais afetados são: óleo e gás, varejo, lazer, transporte e indústria de transformação.

Só no primeiro trimestre, a pandemia reduziu em 15% o valor de mercado das 100 maiores empresas do mundo — uma perda de US$ 3,9 trilhões, segundo a consultoria PwC. (Valor)

O pior ainda está por vir. O isolamento afetou apenas parcialmente os resultados do primeiro trimestre. No Brasil, os piores números ficaram com os varejistas de vestuários e as administradoras de shoppings. Esses setores, junto ao aéreo, devem ser os mais afetados no 2º trimestre, segundo o economista Marcos Assumpção, do Itaú BBA. Os bancos também devem sofrer com mais inadimplência nos próximos meses. (Valor Investe)

Os pedidos de falência e recuperação judicial já aumentaram. Em maio, o primeiro avançou 30%, na comparação com abril, e o segundo, 68,6%, de acordo com a Boa Vista. As altas revertem a tendência de melhora que vinha sendo observada nos meses pré-pandemia.

O receio por uma segunda onda de contaminação tem abalado os mercados. Na Ásia, todos os índices fecharam em queda. Shanghai ficou em -1,02%, Hong Kong em -2,16%, o Nikkei japonês em -3,47% e o Kospi coreano em -4,76%. Os índices também abriram em queda na Europa. Pela manhã, o FTSE 100 inglês estava em -1,25%, o DAX alemão em -1,36% e o CAC 40 francês em -1,32%.

COTIDIANO DIGITAL

Bolsonaro quer a Huawei fora do leilão do 5G no Brasil. Em apoio aos americanos, o Itamaraty enviou parecer no qual recomenda regras para restringir a participação da Huawei. Contrariando o Ministério da Ciência e Tecnologia, a pressão veio da ala ideológica do governo, que afirma que a empresa é controlada por autoridades da China e colocaria em risco a segurança dos dados. A decisão cabe à Anatel, que definirá as regulamentações para o leilão que deve ser adiado para 2021. Para as teles, sem a Huawei os custos e o tempo de implementação do 5G vão aumentar, porque terão de trocar os equipamentos da chinesa que hoje operam o 3G e o 4G.

O Facebook está criando um braço de investimentos em startups. Segundo o Axios, a nova área de venture capital terá um fundo multimilionário focado em detectar tendências emergentes e futuros rivais antes que se tornem grandes. Essa seria uma saída do Facebook para escapar da pressão de antitruste, que deve dificultar a empresa a realizar grandes aquisições num futuro próximo.

CULTURA

Adaptada de um livro de Stephen King, The Outsider se passa em uma pequena cidade dos Estados Unidos, onde um garoto de 11 anos é brutalmente assassinado. Com inúmeras evidências, o detetive Ralph Anderson prende o treinador de beisebol Terry Maitland, mas é surpreendido ao receber uma prova incontestável de que ele estava em um outro lugar. Uma pessoa, afinal, consegue estar em dois lugares ao mesmo tempo? A questão é central nos dez episódios da série da HBO e coloca à prova  o sistema de investigação da polícia, assim como a própria fé do detetive. Como tudo do Stephen King, tem toques sobranturais.

Disponível na HBO GO. E o trailer.

Em uma rara entrevista, Bob Dylan, ganhador do Prêmio Nobel, conversou com Douglas Brinkley, do NYT, um dia depois que George Floyd foi morto em Minneapolis. Segundo Douglas, ele estava claramente abalado pelo horror que havia ocorrido em seu estado natal. “Me enojou infinitamente ver George torturado até a morte dessa forma”.

Bob Dylan sobre a pandemia: “Temos a tendência de viver no passado, mas isso somos nós. Os jovens não têm essa tendência. Eles não têm passado, então tudo que sabem é o que veem e ouvem, e eles acreditam em qualquer coisa. Daqui a 20 ou 30 anos, eles estarão na vanguarda. Quando você vê alguém com 10 anos, ele estará no controle em 20 ou 30 anos, e ele não terá ideia do mundo que conhecíamos. Os jovens que estão na adolescência agora não têm memórias suficientes para se lembrar. Então provavelmente é melhor entrar nessa mentalidade o mais rápido possível, porque essa será a realidade. No que diz respeito à tecnologia, ela torna todos vulneráveis. Mas os jovens não pensam assim. Eles não poderiam se importar menos. Telecomunicações e tecnologia avançada são o mundo em que nasceram. O nosso mundo já está obsoleto”.

Sobre a influência do jazz: “Ella Fitzgerald como cantora me inspira. Oscar Peterson como pianista, absolutamente. Algo me inspirou como compositor? Sim, Ruby, My Dear, de Monk. Essa música me colocou no caminho de fazer algo parecido. Me lembro de ouvir essa canção várias vezes”.

BOLSONARISTAS ATACAM SUPREMO COM FOGOS E AMEAÇAS

Um grupo de 30 bolsonaristas lançou fogos de artifício contra o prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, no sábado. Gritando palavras de ordem, dirigiram ofensas e mesmo ameaças aos ministros Corte — entre elas, a pergunta se o recado havia sido compreendido. O protesto também se voltou contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que desalojou na Esplanada dos Ministérios o acampamento da milícia dos 300, igualmente pró-presidente, e proibiu aglomerações na área, fechando-a para veículos e pedestres no domingo. Pois na manhã do mesmo domingo, o ministro da Educação Abraham Weintraub se reuniu com militantes lá mesmo. Estava sem máscara, que é de uso obrigatório em Brasília. “Eu já falei a minha opinião, o que eu faria com vagabundo”, Weintraub foi gravado dizendo. Era uma referência ao que disse no vídeo da reunião ministerial de 22 de abril — quando afirmou que ‘vagabundos’ do Supremo deveriam ser presos. A Procuradoria-Geral da República instaurou inquérito para investigar o ataque. (G1)

De acordo com Bela Megale, a avaliação no Planalto é de que Weintraub atua por projeto político próprio e já não se sente subordinado ao presidente Jair Bolsonaro. Lauro Jardim ouviu que a reiteração da ofensa aos ministros do Supremo pode levar a sua demissão, esta semana. (Globo)

Pois é… A sensação geral é de que a PM de Brasília não agiu para defender o STF. Em nota, que raramente emite, o ministro da secretaria-geral da Presidência, Jorge Oliveira, afirmou que o “ataque ao STF é contrário à nossa democracia”. Ligado justamente à PM do DF, chamou atenção, lembra o Painel. De acordo com apuração de Igor Gielow, há suspeita de que a inação da PM tenha ocorrido em combinação com a área de inteligência do Planalto. (Folha)

O governador Ibaneis Rocha, além de fechar a Esplanada para protestos de domingo, também exonerou o subcomandante PM Sérgio Souza. Número dois da corporação, ele estava no comando por conta de o chefe ter sido afastado por motivo de saúde — está com Covid-19. “Deveria ter tomado as medidas corretas para não ter chegado ao ponto de jogar fogos em cima de um Poder.” (G1)

As ameaças são também veladas. O chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, deu entrevista às Páginas Amarelas da Veja. E reiterou a ameaça. “É ultrajante e ofensivo dizer que as Forças Armadas, em particular o Exército, vão dar golpe, que as Forças Armadas vão quebrar o regime democrático. O próprio presidente nunca pregou o golpe. Agora o outro lado tem de entender também o seguinte: não estica a corda.” Ramos não deixou claro o que ocorre se a corda for esticada — ou mesmo o que quer dizer ‘esticar a corda’. (Veja)

Então… Ramos cogita pedir para passar à reserva. Há pressão do outro lado, do comando do Exército, para que os militares da ativa no governo o façam. E o clima para isso aumentou após o chefe do Estado Maior americano, general Mark Milley, ter pedido desculpas públicas por ter participado, com o presidente Donald Trump, de um ato político. “Minha presença naquele momento, e naquele ambiente, criou uma percepção de envolvimento dos militares na política interna”, disse Milley. É o que vem ocorrido com frequência no Brasil, o que deixa muitos militares desconfortáveis, conta Merval Pereira. (Globo)

Ascânio Seleme: “O general Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde que embaraça o Exército brasileiro, recebeu, na semana passada, recado de superiores fardados de que o melhor a fazer é voltar para a caserna ou ir para a reserva. Duvida-se no QG do Exército em Brasília que Eduardo Pazuello e Luiz Eduardo Ramos, ministros de Bolsonaro e ambos generais da ativa, sigam o exemplo do chefe do Estado Maior Conjunto dos Estados Unidos, Mark Milley, e peçam desculpas por terem apoiado os atos antidemocráticos realizados na Praça dos Três Poderes.” (Globo)

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, pediu o chapéu. Deve deixar a equipe econômica em julho ou agosto. “Estou um pouco cansado e está próximo o momento de sair porque no próximo semestre o governo vai debater um conjunto de reformas estruturais e novas medidas para o pós-crise do COVID-19”, declarou em entrevista a Geraldo Samor. “O ideal é que o novo Secretário do Tesouro já acompanhe este debate e fique até o final de 2022.” (Brazil Journal)

Há receio com o movimento dos mercados no Brasil, hoje. A prioridade da política econômica vai mudar, com medidas de retomada e a criação do Conselho Fiscal da República, que era o principal projeto de Mansueto, vai deixar a linha de frente. Há receio de debandada neste atual momento do governo Bolsonaro. (UOL)

Fonte: Meio

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