Prática, concisa é a resenha diária de Bosco Martins.
Em poucos minutos você já sai de casa sabendo o que há de importante.

O réquiem de Milton Nascimento

MS, 27 de outubro de 2021

A Última Sessão de Música 2022 é o réquiem de  Milton Nascimento.  Ele aproveitou o seu aniversário de 79 anos para anunciar que fará no ano que vem sua última turnê.  A publicação  da chamada da  Última Sessão de Música 2022 é sutil e de bom gosto como toda a obra do artista. Uma animação que remete à capa de seu disco Geraes, de 1976, ao som de Encontros e Despedidas (ouça no Spotify), mas já está provocando choro  e ranger de dentes entre os fãs.

Deserto

A cidadezinha de Mairi, no interior da Bahia, não tem um cinema até hoje, mas pode ter um de seus filhos concorrendo ao Oscar. Aly Muritiba, de 42 anos, sempre foi apaixonado pela arte, montando um cineclube aos 15 anos. Mas até chegar a cineasta encarou trabalhos nada cinematográficos, como bilheteiro de metrô e carcereiro. Ficou no passado: hoje é reconhecido em festivais como Brasília, Gramado, Sundance e Veneza. Seu longa Deserto Particular foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil no Oscar. A lista de indicados sai em fevereiro.

VIVER

O Rio é a primeira capital a abolir oficialmente o uso de máscaras em locais abertos. O decreto, baixado ontem pelo prefeito Eduardo Paes, vale a partir de hoje. Mas a matéria é polêmica: a decisão foi tomada após a Assembleia Legislativa aprovar uma lei autorizando municípios a flexibilizar o uso da proteção. Segundo o secretário estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, esta lei só vale após ser sancionada pelo governador Cláudio Castro e regulamentada.

Segundo análise da Nature, a maioria dos especialistas põe entre 60 e 70% o índice que pode levar à imunidade da população em relação à Covid. Ainda faltam estudos mais sólidos a respeito mas, no caso da cidade do Rio, 65% da população está totalmente imunizada. Há cientistas ouvidos pelo Globo que condenam a iniciativa do prefeito. Também há os que defendem.

O governo do Distrito Federal baixou ontem um decreto também desobrigando o uso de máscaras em locais abertos. A medida entra em vigor no dia 3.

Enquanto isso… Chega a 18 milhões o número de pessoas com a segunda dose de vacinas em atraso no Brasil, segundo comunicado do Ministério da Saúde. Apesar de ser muita gente, há uma redução de dois milhões em relação ao levantamento anterior. Na nota, o ministério enfatizou a importância da imunização completa para garantir a proteção contra a covid-19.

Preconceito não

Fechou o tempo no Minas Tênis Clube. O motivo foi uma postagem em redes sociais do capitão do time de vôlei, Maurício Souza, no último dia 12, criticando a DC por anunciar que o novo Super-Homem é bissexual. Considerada homofóbica, a postagem foi criticada por torcedores e ONGs, mas a diretoria soltou uma nota dizendo que, embora não apoie as opiniões de Maurício, respeita a liberdade de expressão do atleta. A Fiat e a Gerdau, patrocinadoras da equipe, acharam pouco e cobraram uma atitude mais firme. Ontem o clube suspendeu Maurício e agora enfrenta uma rebelião dos demais jogadores, que ameaçam deixar a equipe em solidariedade ao capitão. (UOL)

Depois da punição, Maurício publicou um pedido de desculpas. Mas, enquanto a postagem homofóbica foi feita no Instagram, onde ele tem 294 mil seguidores, a retratação foi no Twitter, no qual o atleta é seguido por menos de cem pessoas.

Clima

Embora não necessariamente sinceros, quase todos os países chegam à Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP26), na Escócia, com propostas de redução nas emissões de carbono. As duas exceções são o México e o Brasil, que pretendem aumentar as emissões até 2030. A informação está num relatório do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), divulgado  essa semana.

COTIDIANO DIGITAL

O Telegram, porto seguro do presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores, corre o risco de ser bloqueado no Brasil. A previsão está no projeto de lei contra a fake news que tramita na Câmara. O texto que está com os deputados altera o projeto aprovado no Senado e prevê que plataformas de troca de mensagens tenham representantes legais no Brasil, o que não é o caso do aplicativo russo. O projeto também prevê limitar ainda mais os disparos em massa tanto no Whatsapp quanto no Telegram.

TikTok 

Em audiência no Congresso dos Estados Unidos ontem, o TikTok negou ter dado informações ao governo da China e disse ter tomado medidas para proteger os dados de usuários dos EUA. O depoimento foi de Michael Beckerman, chefe de políticas públicas do TikTok para as Américas. Segundo ele, o aplicativo não repassa ou dá acesso ao governo do país asiático para consultar informações do app, ressaltando que os dados dos usuários do TikTok nos EUA são armazenados nos Estados Unidos, com backups em Singapura.

A rede social chinesa também é alvo de investigações pela Justiça americana sobre algoritmo, transparência e uso de dados de crianças e adolescentes. Outras empresas, como Snapchat e YouTube, também estão na mira.

FRAUDE

E uma rede fraudulenta de aplicativos para Android pode ter feito mais de 10,5 milhões de vítimas no mundo todo. O esquema, batizado de UltimaSMS, aplicava golpes a partir do cadastro das vítimas em serviços de SMS, que depois era usado para registro em plataformas pagas em o seu consentimento. A rede contava com 151 apps na Google Play Store e incluía softwares para câmera, teclados, leitores de QRCode, editores de vídeos, jogos, entre outros. A ação foi descoberta pela Avast aponta que usuários de 80 países realizaram downloads.

 

fonte canal meio e blog do bosco

 

 

BRASILEIROS PERDIDOS PARA A COVID CHEGAM A UM QUARTO DE MILHÃO

Já estava previsto, mas não é menos aterrorizante. O Brasil atingiu nesta quarta-feira a marca de 250 mil mortos pela Covid-19, mantendo-se atrás apenas dos EUA em número de vítimas fatais, embora seja o terceiro em casos — a Índia é o segundo. Ontem foram registradas 1.433 mortes, totalizando 250.079 vítimas. A doença está retrocedendo em vários países, informa Jamil Chade com dados da OMS, mas aqui ocorre o contrário. A taxa de transmissão no Brasil, apurada pelo Imperial College de Londres, voltou a subir e está em 1,05 – significa que 100 infectados transmitem o vírus para 105 novos portadores. Acima de 1, a taxa indica que a doença está fora de controle. Isso é o Brasil. (UOL)

Miguel Nicolelis, cientista: “Neste momento, o Brasil é o maior laboratório a céu aberto onde se pode observar a dinâmica natural do coronavírus sem qualquer medida eficaz de contenção. Todo o mundo vai testemunhar a devastação épica que o SARS-CoV-2 pode causar quando nada é feito de verdade para contê-lo.” (Twitter)

Embora seja comandado por um general apresentado como especialista em logística, o Ministério da Saúde se enrolou com a Região Norte. Mandou para o Amazonas as duas mil doses de vacinas destinadas ao Amapá, que recebeu as 78 mil doses do Amazonas. A pasta diz que a situação será corrigida. E a crise amazonense só faz crescer. Nos 54 dias de 2021, a Covid-19 matou 5.228 pessoas no estado, mais que os 5.285 mortos registrados entre março e dezembro do ano passado. (G1)

A calamidade causada pela doença vai de um extremo ao outro do país. Depois do Amazonas, o Rio Grande do Sul vê sua rede pública à beira do colapso, com 96% dos leitos de UTI ocupados em Porto Alegre. A média móvel de mortes também registrou um aumento de 53% em relação há duas semanas, indicativo de alta nos óbitos. Pior, segundo especialistas, o número ainda não reflete as aglomerações clandestinas no carnaval. (Globo)

Em São Paulo, o governo determinou um “toque de restrição” a partir de amanhã, entre 23h e 5h para conter aglomerações. Em entrevista coletiva, o próprio governador João Doria (PSDB) teve dificuldade em explicar como o sistema funciona. (Folha)

O Senado aprovou projeto de lei permitindo que o governo assuma os riscos decorrentes da aplicação de vacinas, o principal entrave à compra de imunizantes da Janssen e da Pfizer (que já tem registro definitivo da Anvisa). O texto prevê ainda que a iniciativa privada compre vacinas, mas algumas várias condições: enquanto houver vacinação de grupos prioritários, 100% do que empresas importarem deverá ser doado ao SUS; depois, esse percentual cai para 50%, e o restante terá de ser aplicado gratuitamente, por exemplo, na imunização de funcionários. O projeto deve ser votado ainda esta semana na Câmara. (Globo)

Só que… O presidente Jair Bolsonaro, crítico dos termos exigidos pela Pfizer, acenou com a possibilidade de vetar o projeto aprovado pelo Senado. (UOL)

O Ministério da Saúde recebeu na terça-feira 3,2 milhões de novas doses de vacinas – dois milhões da Oxford AstraZeneca e 1,2 milhão de doses da CoronaVac. Elas devem começar a ser distribuídas ainda hoje. (G1)

TECH NO PRÓXIMO NÍVEL

Depois de anos em desenvolvimento, a pandemia não só acelerou, mas trouxe de vez a automação nas fábricas, nos armazéns e nas áreas administrativas. Até o fim do ano, a base instalada de robôs de fábricas em todo o mundo superará 3,2 milhões de unidades, o dobro do patamar de 2015. Segundo as previsões, o mercado global de robótica industrial crescerá de US$ 45 bilhões em 2020, para US$ 73 bilhões em 2025. Não é à toa que a General Motors lançou este ano uma nova divisão de logística de vans para entrega de mercadoria e paletes elétricos autônomos para serem usados em armazéns. Hoje, os avanços na tecnologia e modelos de negócios permitem que não só as grandes, mas também as menores empresas desfrutem dos benefícios da automação. (Folha)

Pois é… O Brasil lidera o parque de robôs industriais da América do Sul. Tem mais de 15,3 mil robôs em operação. Na América Latina, só perde para o México, que está perto do mercado americano. A robotização brasileira está longe da adotada nos países desenvolvidos. Enquanto tem de 12 a 13 robôs a cada 10 mil trabalhadores, os EUA têm 1,3 mil, China 938, Japão 1,2 mil e Coreia 2,7 mil. (Valor)

 

Fonte: Canal Mei

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