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Prática, concisa é a resenha diária de Bosco Martins. Em poucos minutos você já sai de casa sabendo o que há de importante.

12 Out 2019

Quando a Casa fica Inteligente

Você terá um smart speaker. Uma caixa de som inteligente. Talvez não seja agora, mas você a terá. Este aparelho possivelmente se tornará o centro digital de sua casa em alguns poucos anos. Ou meses. Este é um movimento que aponta para um processo de decadência dos smartphones.

Sim: smartphones vão se tornar menos importantes.

Para entender o porquê, é preciso antes compreender o que está acontecendo no mundo da tecnologia e o que faz a indústria girar.

De tempos em tempos, há um grande avanço nas interfaces. O termo, jogado para cá e para lá nos textos técnicos, é apenas a palavra para descrever a maneira como interagimos com o digital. Os primeiros computadores pessoais tinham interface de texto. Precisávamos memorizar códigos que digitávamos na tela. Então vieram, e ainda perduram, as interfaces gráficas: mouse à mão, janelas, pastas, dois cliques. A partir do iPhone, se popularizaram as interfaces de toque. Interagimos com a tela tocando-a. E agora, mais recentemente, estamos nos habituando com as interfaces de voz. É a Siri nos equipamentos Apple, a Assistente no mundo Google.

Segundo números do Google, português é a segunda língua mais usada para dar comandos de voz aos celulares.

Quando sequer pensamos sobre o tema, interfaces parecem ser apenas facilitadores de vida. Tocamos o ícone, abrimos um app. Dizemos Okay Google e pedimos uma busca. Mas, a cada avanço, interfaces mexem também na natureza dos equipamentos. Já tínhamos ícones nas telas de nossos computadores antes de eles aparecerem nos smartphones. A interface de toque, porém, torna os ícones possíveis nos celulares. Porque dispensam o mouse. Sem um substituto para o mouse, não adianta um celular ter ícones. Da mesma forma, comandos de voz nascem nos celulares. Mas, assim como o toque dispensa a necessidade de mouse, a voz dispensa a necessidade de tela. E o primeiro produto digital que nasce desta nova tecnologia é a caixa de som inteligente.

Imagine entrar em casa e dar uma ordem de viva voz: destranque a porta, ligue as luzes. Não é ficção-científica. No Brasil de hoje, o conjunto de equipamentos necessários para esta operação sai por menos de mil reais. A casa inteligente está começando a nascer.

O que mudou

Na semana passada, a Amazon lançou no Brasil o EchoDot e o EchoShow. Já é possível comprar também, nas principais cadeias de e-commerce, Google Home e Google Home Mini. Estão, todas, na categoria smartpeakers. Caixas de som inteligentes. Além de tocarem música e podcasts, estas máquinas são capazes de controlar dispositivos pela casa.

Só que isto fatalmente exige, do usuário, uma escolha. Em que assistente apostar?

Em 2001, Uma Odisseia no Espaço (trailer), o icônico filme de Stanley Kubrick lançado em 1968, havia algo de assustador no computador HAL 9000. Mais recentemente, Ela (trailer), de Spike Jonze, Samantha sugeria uma intimidade no limiar do comovente e, por isso, um quê perturbadora. A realidade está muito distante.

Há cinco assistentes de voz que falam português brasileiro. Google Assistente, Alexa (Amazon), Siri (Apple), Bixby (Samsung) e Cortana (Microsoft).

Em termos pragmáticos, não há qualquer motivo para optar por uma das duas últimas. Como ocorre em todas as tecnologias, e a história VHS versus Betamax dos videocassetes já o demonstrava, quanto mais gente usa, mais sofisticado é um padrão. Pesadamente utilizadas no mundo são as três primeiras: Google, Alexa e Siri.

Em geral, a assistente de voz aprendemos a usar no smartphone. É por isso que Google Assistente e Siri são populares. A dos Androids e a dos iPhones. Mas há um motivo para a Amazon ter se tornado uma jogadora importante neste setor.

A Apple demorou a investir pesado em inteligência artificial. É uma posição ingrata que aponta para um dos dilemas pelos quais passa a indústria da tecnologia. Steve Jobs tinha uma postura pró-garantia de privacidade forte, e isto quer dizer reter menos informação a respeito de cada usuário. Esta cultura permaneceu na Apple. Suas tentativas de montar um negócio de publicidade se frustraram, outro negócio de redes sociais, idem. Não só: a rigidez de compartilhar informação sobre assinantes sempre foi foco de tensão com a imprensa, indústria fonográfica, de cinema e games.

O problema é que, para desenvolver inteligência artificial, é preciso depender de grandes bases de dados que registram os hábitos das pessoas nos mínimos detalhes. Siri é uma assistente capaz de menos coisas do que Google e Alexa. Porque Siri armazena menos informação.

Há dois passos, aí. O primeiro é baseado em software: desenvolver um programa capaz de reconhecer a voz e interpretar o que foi dito. O segundo é integrá-lo a equipamentos, compreendendo que o dito é também um comando.

É justamente porque a Amazon não teve qualquer sucesso em suas tentativas de entrada no mercado de smartphones que ela saiu à frente no mundo das assistentes de voz. Investiu primeiro. As caixas de som da série Echo, com a assistente Alexa embutida, estão na praça dos EUA já faz quatro anos. E quatro anos de gente usando, testando, encontrando problemas, é vantagem. Hardware e software se tornam melhores.

O Google alcançou. A Apple ficou para trás.

O que há no Brasil?

Uma caixa de som inteligente pode ser encarada de duas maneiras distintas. A primeira é básica, o aparelho por si e apenas. É uma máquina que toca música. É possível conectá-la ao Spotify, Google Music, Amazon Prime e outros serviços. ‘Alexa, toque Legião Urbana’ — a caixa tocará. ‘Ok, Google, toque Tom Jobim.

Aí vem o segundo passo. Conectar estas caixas a equipamentos da casa inteligente. Contamos adiante.

Tanto Amazon quanto Google oferecem, cada um, dois produtos no mercado brasileiro.

Há duas caixas pequenas, que não têm som excepcional, mas permitem as primeiras experiências. EchoDot, da Amazon, sai por R$ 349 e dá para dividir. Google Home Mini pode ser encontrada entre R$ 170 e R$ 220 nas lojas online.

As outras duas versões são muito diferentes.

EchoShow tem tela — R$ 599. É uma caixa de som, mas também é um porta-retratos digital, e um de seus usos mais populares, no mercado americano, é na cozinha. É a vantagem de assistir a um programa de culinária, acompanhando cada passo da receita, sem nunca precisar tocar na tela. Basta pedir uma pausa.

Google Home, por outro lado, que sai por algo entre R$ 500 e R$ 600, é uma caixa de som melhor — embora ofereça apenas áudio.

A Amazon está para lançar o Echo no Brasil. Custará R$ 699 — e, neste caso, é uma caixa de som de grande qualidade. Melhor do que as alternativas.

As duas linhas têm outros produtos. O Google também tem uma caixa de som de qualidade superior, como tem também su caixa com tela. A Amazon vai além — micro-ondas, TVs, até óculos com Alexa existem. Mas as assistentes têm de ser adaptadas para cada máquina. Portanto, nenhum dos outros produtos das duas linhas falam português. Assim como HomePod, a excelente caixa de som da Apple, tampouco tem Siri em nossa língua.

Rumo à casa inteligente

As caixas de som falam por si mesmas. Mas é quando começam a se interconectar com o resto da casa que a vida cotidiana se transforma.

Casas inteligentes existem há muito tempo. Persianas que se levantam a um comando, aparelhos de ar-condicionado que já estão ligados quando o morador chega, lâmpadas que seguem o ritmo da vida na moradia.

O segredo não dito sobre a automação de residências é que nunca funcionou muito bem. Custava muito caro, coisa de gente rica, e os controles eram tão complexos quanto aquele conjunto TV, BluRay, 5.1, videogame, CD, caixa da TV a cabo e outros tantos apetrechos que tornaram insana a lida com o entretenimento nas casas de tantos na última década e pouco. Alguém já contou o número de controles remotos necessários?

Esta casa inteligente melhorou — mas não resolveu.

Melhorou porque está mais barato. A integração, porém, não é simples ainda.

No mundo ideal, o celular avisa à casa que o dono está chegando e, por ser um verão carioca, quinze minutos antes o ar-condicionado liga para deixar tudo a 20°C, e as lâmpadas acendem no momento da chegada. Conforme 21h ou 22h se aproximam, a iluminação vai lentamente reduzindo, se tornando mais alaranjada, e assim convidando ao sono.

Isto já é possível, mas o trabalho de configuração não é pequeno.

Os itens essenciais da casa inteligente, compatíveis com assistentes digitais e à venda no mercado, são alguns. Começa com lâmpadas led que são capazes de muitos tons distintos de cor. Há, também, fechaduras inteligentes, sensores de movimento e de iluminação. Assim como termostatos e tomadas inteligentes. Com aqueles aparelhos ligados à TV, como Google Chromecast ou Amazon FireTV, também é possível enviar comandos ao sistema de entretenimento. ‘Alexa, ponha o próximo episódio de Mad Men na Netflix.’ Este é o essencial.

Um sensor de movimento ligado às luzes inteligentes pode liga-las à noite, bem baixo para não acordar ninguém, mas iluminar o caminho para o banheiro. Sensores de luz vão acendendo as lâmpadas conforme anoitece. Termostatos conectam-se a aparelhos de ar-condicionado ou aquecedores para regular temperatura. Para isso, usam o mesmo infravermelho dos controles remotos destas máquinas. O termostato tem de ser inteligente — o ar não precisa. Tomadas ligadas ao WiFi deixam que controlemos qualquer aparelho ligado a elas — são como um benjamim ligado à internet da casa.

Não é uma tecnologia madura, estamos engatinhando. Mas duas plataformas já se consolidaram neste campo. São as de Amazon e Google. Oficialmente, é a da Amazon que chega primeiro ao Brasil.

O ponto fundamental é o seguinte: há muitas linhas de apetrechos eletrônicos de casa inteligente. A mais célebre é a Hue, da Philips, que inclui inúmeros formatos de lâmpadas distintos, além de sensores. Muitas lojas brasileiras vendem a linha, mas a pesada tributação local, somada ao dólar alto, cobra seu preço. Pertencente ao Google, e ainda mais cara, a linha Nest traz câmeras de segurança, fechaduras, termostatos. A chinesa Xiaomi está no mercado local também, com preços competitivos — lâmpadas, cortinas, câmeras, tomadas, tem de tudo. A brasileira Positivo lançou este ano uma linha cobrando preços em real — e, nisso, é imbatível. Oferece de dispositivos de segurança a lâmpadas e tomadas, mas não é uma tecnologia totalmente redonda.

(Conectar ao sistema uma lâmpada Philips Hue, que custa quase R$ 300, é trabalho de cinco minutos; fazer o mesmo com uma lâmpada Positivo que produz o mesmo efeito, e custa R$ 90, é trabalho para algumas horas. O problema é de software, não é físico.)

Cada uma destas marcas tem seu próprio app. Por isso mesmo que as assistentes se tornam importantes. Para a lenta organização de uma casa inteligente, é preciso misturar. Um termostato Nest, lâmpadas Hue, tomadas no padrão brasileiro Xiaomi — ou Positivo. Se for necessário usar um app para cada equipamento, voltamos ao mundo dos controles remotos enlouquecedores. Se tudo está configurado com Alexa ou Google, basta da um comando de voz e tudo é resolvido.

Pois é aí onde entram as assistentes digitais. Alexa, temperatura 20°C e lâmpadas da sala ligadas. Ok, Google, toque Beatles e ligue a cafeteira. Assistentes conversam com todos os equipamentos, não importa a marca. Integram tudo numa única interface de voz.

O cotidiano, numa casa inteligente, será lentamente transformado. Não custa lembrar, estas assistentes não funcionam apenas por comando de voz. Esta é apenas uma interface. Programar para que recebam a informação do GPS do celular de que faltam 15 minutos para chegar em casa, e já botar o café para fazer, ou a temperatura para esfriar, é possível. Mas isto ainda exige trabalho de configuração. É possível para alguém confortável com tecnologia, mas não é tão simples quanto clicar um ícone ou dois.

É trabalhoso.

Mais da metade das residências americanas já têm uma caixa de som inteligente. É o jeito de começar e de se habituar com conversar com máquinas. Mesmo que seja apenas para música. Neste começo, basta ela.

De saída, é preciso escolher uma assistente. Seja Google, seja Alexa, ambos funcionarão muito bem. Se alguém já está 100% no ambiente Google, a escolha é fácil. Para os outros, é páreo duro. Se qualidade de som é um critério predominante, o Echo que ainda está para ser lançado pela Amazon é imbatível dentre aqueles legalmente disponíveis por aqui.

QUANDO TUDO SE TRANSFORMOU?

A tecnologia avançou e nossos utensílios de cozinha tornaram-se cada vez mais high-tech. Mas essas mudanças não aconteceram de uma vez só. Os aparelhos passaram por sutis mudanças nos últimos cem anos. Mas quando tudo se transformou? Como chegamos às cafeteiras que temos hoje? Como serão as torradeiras em uma década? O site HomeAdvisor adotou a ideia dos vídeos dos 100 anos lançados no YouTube, entre 2014 e 2017, mostrando como as tendências de beleza mudaram no século passado, e aplicou a produtos de cozinha. É uma série de infográficos – para ver rezando –  que acompanha o desenvolvimento desses aparelhos, incluindo torradeiras, cafeteiras e geladeiras. Alguns sofreram uma transformação mais radical. É o caso do liquidificador. Já a panela de pressão quase sempre se pareceu com uma panela com tampa, embora pareça se tornar elétrica ali na década de 1940. Há um século, a geladeira era realmente apenas a “geladeira” – normalmente forrada com zinco ou estanho. Uma caixa estilizada, não mecânica, recheada de gelo para manter a comida fresca. Entretanto, grandes avanços foram feitos na tecnologia de refrigeração no século 19, e em 1911 a General Electric e outros começaram a vender os primeiros refrigeradores domésticos. Os fabricantes acabaram se estabelecendo no gás não tóxico Freon. No início dos anos 90, adotaram o tetrafluoroetano, mais ecológico. Já as cafeteiras não mudaram muito nos primeiros séculos de existência. Era aquecer a água, jogar nos grãos de café e pronto. Até que a revolução industrial mudou tudo. A primeira cafeteira de sistema a vácuo foi lançada em 1920, mas logo começaram a incorporar novos sistemas de filtragem. Hoje, é possível até operar algumas cafeteiras através do smartphone.

Por falar em cozinha… a Le Creuset lançará uma coleção inspirada em Star Wars. Darth Vader estampa a tampa da tradicional caçarola em sua versão preta. Também tem o mini cocotte em três versões: R2-D2, C-3PO e BB-8. E a assadeira com Han Solo na tampa, uma referência à cena clássica do personagem em Star Wars – Episódio V: O Império Contra-Ataca. Com previsão de lançamento para o início de novembro nos Estados Unidos e meados de dezembro no Brasil, os preços variam entre 20 e 900 dólares. Que a força esteja com você.

O MUNDO ESTÁ SE ASIANIZANDO

No século 19 o mundo era europeizado, no século 20, americanizado. Agora o mundo está sendo asianizado. Essa é a conclusão de um estudo da McKinsey publicado no começo do mês:

“Em 2040, a Asia deve gerar mais do que 50% do PIB mundial, e pode se tornar responsável por 40% do consumo global. Esse progresso reflete a integração de pelo menos quatro Ásias, cada uma em um nível diferente de desenvolvimento econômico, com cada uma delas desempenhando seu próprio papel no crescimento regional. Com mais da metade da população mundial, o continente conseguiu evoluir de um padrão de pobreza para um de classe média em uma única geração. Um terço do comércio global passa por ali, onde estão 21 das 30 cidades maiores do mundo, sendo 4 entre as 10 mais visitadas. Por trás disso tudo está a diversidade das quatro ‘Ásias’: A primeira delas é a China, a âncora econômica local, que oferece uma plataforma de conexões e inovação para seus vizinhos. O segundo grupo é que chamamos de Ásia Avançada, inclui Coréia do Sul, Japão e Cingapura, além dos vizinhos Austrália e Nova Zelândia. O terceiro, Ásia Emergente, é composto de um grupo diverso de países como Filipinas, Indonesia, Cambodia e Vietnã, com economias em desenvolvimento que fornecem mão de obra e potencial de crescimento. Por fim, um último grupo junta a Índia com a Ásia Fronteiriça (Afeganistão, Casaquistão, Paquistão, entre outros). Essas quatro Ásias são complementares, fazendo com que sua integração se torne uma força poderosa para o progresso. Na medida em que a população de um país envelhece, outro, com uma população mais jovem, assume seu lugar. A idade média da população indiana era de 27 anos em 2015, comparado com 37 na China, e 48 no Japão. Da mesma forma, na medida que salários e, por consequência, custos de produção sobem em um país, já existem outros próximos para oferecer melhores condições e aproveitam para se desenvolver. Por anos, estudiosos têm discutido o potencial futuro da Ásia. O futuro chegou. Entramos no século asiático.”

Não vai ser uma transição fácil. Um dos grandes desafios que diversas empresas têm enfrentado é em como lidar com o governo autoritário da China, principal motor de crescimento do continente. Essa semana foi a vez de a NBA, a liga americana de basquete, se envolver em uma confusão. No fim de semana um dirigente do Houston Rockets, postou um tweet que dizia: “Lute pela liberdade! Apóie Hong Kong.” Foi o suficiente para a TV Estatal Chinesa anunciar imediatamente o cancelamento da transmissão de amistosos da NBA que seriam jogados no país.

Fred Wilson, investidor: “Fiquei feliz ao ver o comissário da NBA dizer o seguinte em relação à polêmica sobre o tweet do dirigente do Rockets: ‘A NBA não vai se colocar na posição de regular o que jogadores, funcionários e donos de times falam, ou não falam. Nós simplesmente não teríamos como operar de forma diferente.’ Por conta dessa posição, a liga pode sofrer um grande revés em seus negócios na China. Pode reduzir seus lucros, dos jogadores e dos donos de equipes. Mas a NBA está colocando seus princípios acima dos lucros, o que é bom. Não é uma decisão simples. Empresas possuem empregados para serem pagos, famílias a serem sustentadas, clientes para serem atendidos. Nem sempre os mesmos princípios são compartilhados por todos, e nem sempre as fronteiras são tão claras. Mas a busca por lucratividade pode levar um fundador, um CEO, um time, um conselho e uma empresa a se esquecerem de seus princípios, e isso nunca é bom.”

Treze mulheres tinham recebido um Nobel até quinta-feira. A escritora e ensaísta britânica Virginia Woolf, autora de Mrs. Dalloway, não foi uma delas. Agora, com Olga Tokarczuk agraciada com o maior prêmio literário do mundo referente ao ano de 2018, são quatorze.

Trecho de um livro da escritora polonesa.

Por um instante perdi a fala e, em silêncio, calcei as botas de cano alto e vesti o primeiro casaco de frio que encontrei no cabideiro. Lá fora, a neve, na mancha de luz jogada pelo abajur no alpendre, virava uma ducha vagarosa e sonolenta. Esquisito estava do meu lado, calado, alto, esbelto e ossudo como uma silhueta esboçada com alguns riscos a lápis. A neve caía do seu corpo ao mínimo movimento, como se fosse um cavaquinho polvilhado com açúcar de confeiteiro.

Liev Tolstói e James Joyce fazem parte do grupo de escritores consagrados que não ganharam o Nobel. O poeta francês Paul Valéry foi indicado 12 vezes entre 1930 e 1945, quando finalmente a Academia Sueca decidiu escolhê-lo. No entanto, morreu em julho e o prêmio foi para a poeta chilena Gabriela Mistral. Já Vladimir Nabokov foi indicado ao prêmio em 1974 por seu romance Lolita, de 1955, mas perdeu para uma dupla de escritores suecos que, na época, fazia parte do comitê. No caso de Marcel Proust, escrever uma das obras literárias mais importantes do século XX, Em busca do tempo perdido, não foi suficiente para levar um Nobel. Um dos motivos seria o fato do autor abordar temas polêmicos na época.

Pois é… Há 100 anos, Marcel Proust (1871-1922) recebia o Prêmio Goncourt, a honraria literária mais importante em seu país natal, a França. Na última semana, novelas e contos do autor que até então eram desconhecidos pelo público foram lançadas pela pequena editora parisiense Éditions de Fallois. Bem a tempo do jubileu comemorativo. As sete caixas de manuscritos não apareceram agora. Eles já faziam há muito tempo parte da coleção do especialista em Proust e fundador da editora, Bernard de Fallois, que morreu em janeiro de 2018 e comunicou em seu testamento a existência do arquivo. Em entrevista à emissora France Culture, o crítico literário Luc Fraisse afirmou que foi então contratado para classificar os novos textos, escritos quando Proust tinha 20 e poucos anos sob o título Le Mystérieux Correspondant et autres nouvelles inédites (O Correspondente Misterioso e Outras Novelas Inéditas, em tradução livre).

E PARA FECHAR, O QUE MAIS AGUÇOU A CURIOSIDADE DE NOSSOS LEITORES ESSA SEMANA:

1. Twitter: Os novos, e radicalmente diferentes, celulares da Essential, de Andy Rubin, criador do Android.

2. FastCompany: Os truques de pilotos para manter a atenção.

3. TwitterMais fotos dos novos telefones da Essential.

4. Buzzfeed: Fotos da Amazônia no século 19 que estão voltando para o Brasil.

5. InstagramAli Tate Cutler, a primeira modelo plus size da Victoria Secrets.

Fonte: @Meio

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