Poético

Manyphesto do Cinema de Vanguarda Prymitiva

Manyphesto do Cinema de Vanguarda Prymitiva

Poético
Vanguarda primitiva Regresso ao futuro Palavra-alma guarani Chamas & orvalho Origem própria original originalidade selvagem A fala dos loucos dando flores Todos os dialetos possíveis Inventados encantados alucinados Dialeto-rã Dialeto-pedra Dialeto-fogo Dialeto-bosta A beleza das coisas nunca vistas Adivinhação divinação divinare Em vez do plágio sutil Vidência O aproveitamento de todas as ancestralidades desprezadas Vanguarda primitiva: os dicionários de pedra, de areia, de água, de árvore O poeta lambe as palavras e alucina o idioma Para que o idioma volte a dar encantamento Um coração quente Com um olho de pássaro Você pode ver o mundo De modo diferente Vanguarda primitiva: Amor sem data de vencimento Invenção em vez de cópia Bárbara e nossa
Aos nossos filhos

Aos nossos filhos

Poético
Não direi de ti Que te amei um minuto Como uma eternidade Não direi de ti Que te ganhei, companheira Num relâmpago E perdi num temporal Não direi que não quis ficar Que partiu como louca Enquanto te chamava Não direi que teve medo de amar Um parceiro incógnito Imprevisível de tua própria loucura Não direi que não tivemos paciência De percorrermos juntos Os desenhos de nossas mãos Que mostravam nossa própria estrada Não direi calando teu nome O tempo pouco e louco Que juntos vivemos Não direi para não perder Nossa história Como me perdia menino Ouvindo um conto de fadas Por Bosco Martins  Assista ao especial “Poético”, uma viagem literária pelas poéticas modernistas sob o comando do escritor e jornalista Bosco Martins. Com recortes que vão de Eli
Concordata

Concordata

Poético
Olá, mulher maravilhosa do convés tenho estado ás vezes em pleno mar nem sei mais a quantos nós, nós navegamos Em que mar, que oceano imantados no meio do barco sem saber a quantos mil pés anda o nosso rastro. Não lhe tenho visto nos salões provocando o equilíbrio acrobático dos leques e salamaleques dos garçons. Também não tenho deixado o camarote. Ainda ontem pude ver pela escotilha a quilha do teu navio flamulando as cores de outra bandeira. Antes de ontem, anteontem, sei lá, pude vê-la por instantes bem na curva da ventania com as amendoeiras. No entanto, mulher maravilhosa do convés pelo muito que a minha alma almeja ainda velejar nas suas águas meu coração, se valendo de usucapião, propõe uma ligeira concordata um desvio nas cartas, meia tra
O RIO

O RIO

Poético
Quando criança, sonhava colocar o rio dentro de um copo. Imaginava que os homens, na praça, riam da poesia. Não compreendiam, como o rio e a poesia, eram qualquer coisa. Feita para a sobrevivência. Como por exemplo, o pão. Mas não iludo, reduzindo tudo à poesia. Meu coração iluminado Tem alegria e felicidade, por amar a poesia e o rio. Que se encravam na esfinge onde arde o fogo dos deuses. Igual colocar o rio em um copo Brincar de poesia, é o que todos sonham um dia. Por Bosco Martins, a Pedro Ian  O "Prosa e Segredos, Ontem, Hoje e Sempre, com Bosco Martins", pós-produção/texto e edição de Allison Ishy e pós-produção/edição de vinhetas e pílulas de Roque Martins, divulga o Documento Regional – Raridades com o programa Poesia Total I e II
Epígrafe a Manoel de Barros

Epígrafe a Manoel de Barros

Manoel de Barros, Poético
Meu caro poeta... estejai tranquilo. O Pantanal, com seus corixos e mistérios surge através de suas palavras, caleidoscópio da abóbada celeste na moldura de minha janela. Estejai tranquilo, meu caro poeta. O sistema solar esconde os equinócios, guaches, pincéis, clavicórdios, num par dourado de olhos amarelos devorados por seus poemas. Meu caro poeta, amo estes morros, esses guavirais. Amo andar sobre esse tapete mágico de cabeça pra baixo no imponderável. Amo o íntimo de sua poesia, da mesma maneira que amas o rio Paraguai, o cerrado, e tua infância em Corumbá. Dona Assunção da rua Frei Mariano, fez uma bela goiabada daquelas goiabas. Bernardo, lá do Pantanal, espalhou quinze livros por aquela praça. O neto do seu Jorge e da dona Guiomar fez um g
MARCIANA

MARCIANA

Poético
Tinha uma boca que engolia estrelas e trazias um sol na testa que iluminava a escuridão de teus olhos profundos Naquela manhã gelosia taciturna ansiavas roubar a lua e deitada sobre uma rede de palha inventavas um cheiro que devia ser incenso ou alecrim Chegastes assim através do mar áspero com seus dentes de marfim e trazias do horizonte o som estridente de uma bem tocada valsa de Strauss Principiei crer miragens trafegamos inefável e merencórios Diante do claro do dia e os mistérios da noite Buscavas conhecer da fruta do amor que ainda não havia causado tanta dor Aproximei de ti em teu peito nu e sobre o travesseiro da imensidão percebi a pureza de tua alma Falamos da liberdade do nosso mundo de quimeras, dos oprimidos nos trigais da deses
Poema não se encomenda

Poema não se encomenda

Poético
Que poema não se encomenda nasce feito e vem do fundo azul do peito Que poeta nasce sente mas nunca é eleito Que poeta nunca maior que poema Que poema imortaliza o poeta que morre Sem nome nem sobrenome que fique o verso e morra o homem Por Bosco Martins
Parque dos Poderes

Parque dos Poderes

Poético
A moça vestida de funcionária pública uniforme azul marinho realçava ainda mais tão bela cor! A moça vestida de funcionária pública sobe a rua do Parque dos Poderes e o meu coração Com um sorriso branco, burocrático, a moça vestida de funcionária pública fustiga-me e desarma-me Me coloca nu como uma faca descascando a maçã ou como um facão limpando a cana Me despe todo Desarmado me acanho e não ouso investir em sua boca que teria gosto de mel? ou quem sabe de fel? E nesta hora de pura e burra indecisão a moça vestida de funcionária pública me usa, me engole, me toma ao seu sabor como se agitasse no liquidificador do seu desconhecido interior Acanhado e inebriado transformado em mil sabores ou em raios multicores não invisto no seu corpo que
Oferenda

Oferenda

Poético
O poema que oferto tem perfume cor vermelha refletindo no espelho Bem sabes deste sangue que é o ranger dos dentes de rebeldia voluntário brigadista que te fez mel e abelha O poema que ofereço é porque te sei branco límpido e translúcido poeta e criança e quero contigo lembrar os teus desejos e sonhos De esconde-esconde na esquina de teu labirinto ou de cirandinha no pântano de sua solidão Guerreiro que escreveu o verso armado e imortal como quem brincava nas tardes de begônias no mais alto não do planalto central mas nas guerrilhas dos Maquis ou nos campos de Marsella Aqui ou lá fora lutavas por um povo que mora em praça pública e não exigia e não reclamava se o ditador lhe importunava o sono É deste povo que não toca corneta mais toca tam
Você conhece Bocajá?

Você conhece Bocajá?

Poético
Bocajá pode estar além da vida antropocósmica Ou ser simplesmente um lugar docemente silencioso Com flores, fadas e gnomos Sob a luz da lente de Raimundinho A vida entre gelosias Irradia nuvens azuis (cor d’alma de Raimundinho) Em Bocajá, e busca numa interrogação muda Onde estaria eu mesmo? Bocajá seria o lendário mundo de duendes Com castelos ornamentados de bronzes polidos Ofuscando o Astro-Rei Com suas paredes brancas Negras, amarelas, griz Formando um império onírico Na lente de Raimundinho Serpentes aladas Sugam os seios sensusais das Vênus Esculpidas por Buonarotti ou Vinci País de fadas e querubins Aves, luzes, natureza Se misturam num aroma de terra mexida Entrando pelo nariz e desordenando os pensamentos Do amigo Raimundinho No seu imaginário,