Poético

Velha Chácara

Velha Chácara

Poético
A casa era por aqui... Onde? Procuro-a e não acho. Ouço uma voz que esqueci: É a voz deste mesmo riacho. Ah quanto tempo passou! (Foram mais de cinquenta anos.) Tantos que a morte levou! (E a vida... nos desenganos...) A usura fez tábua rasa Da velha chácara triste: Não existe mais a casa... - Mas o menino ainda existe. Por Manuel Bandeira Assista também ao programa "Prosa e Segredos, Ontem, Hoje e Sempre, com Bosco Martins", com pós-produção/texto e edição de Allison Ishy e pós-produção/edição de vinhetas e pílulas de Roque Martins, que divulga o Documento Regional – Raridades com o programa Poesia Total I e II, pílula 6, onde o poeta e jornalista Bosco Martins declama poemas de sua autoria e de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Astor Piazzolla, Vinic
Estrela da Manhã

Estrela da Manhã

Poético
Eu quero a estrela da manhã Onde está a estrela da manhã? Meus amigos meus inimigos Procurem a estrela da manhã Ela desapareceu ia nua Desapareceu com quem? Procurem por toda a parte Digam que sou um homem sem orgulho Um homem que aceita tudo Que me importa? Eu quero a estrela da manhã Três dias e três noites Fui assassino e suicida Ladrão, pulha, falsário Virgem mal-sexuada Atribuladora dos aflitos Girafa de duas cabeças Pecai por todos pecai com todos Pecai com os malandros Pecai com os sargentos Pecai com os fuzileiros navais Pecai de todas as maneiras Com os gregos e com os troianos Com o padre e com o sacristão Com o leproso de Pouso Alto Depois comigo Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra e direi coisas de uma ternura tão si
Desencanto

Desencanto

Poético
Eu faço versos como quem chora De desalento... de desencanto... Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto. Meu verso é sangue. Volúpia ardente... Tristeza esparsa... remorso vão... Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração. E nestes versos de angústia rouca Assim dos lábios a vida corre, Deixando um acre sabor na boca. - Eu faço versos como quem morre. Por Manuel Bandeira Assista também ao programa "Prosa e Segredos, Ontem, Hoje e Sempre, com Bosco Martins", pós-produção/texto e edição de Allison Ishy e pós-produção/edição de vinhetas e pílulas de Roque Martins, que divulga o Documento Regional – Raridades com o programa Poesia Total I e II, pílula 4, onde o poeta e jornalista Bosco Martins declama poemas de sua autori
Epígrafe

Epígrafe

Poético
Sou bem-nascido. Menino, Fui, como os demais, feliz. Depois, veio o mau destino E fez de mim o que quis. Veio o mau gênio da vida, Rompeu em meu coração. Levou tudo de vencida, Rugiu como um furação. Turbou, partiu, abateu, Queimou sem razão nem dó – Ah, que dor! Magoado e só, -Só! – meu coração ardeu: Ardeu em gritos dementes Na sua paixão sombria… E dessas horas ardentes Ficou esta cinza fria. -Esta pouca cinza fria. Por Manuel Bandeira Assista também ao programa "Prosa e Segredos, Ontem, Hoje e Sempre, com Bosco Martins", pós-produção/texto e edição de Allison Ishy e pós-produção/edição de vinhetas e pílulas de Roque Martins, que divulga o Documento Regional – Raridades com o programa Poesia Total I e II, pílula 3, onde o poeta e jornalista Bosco Martins
Porquinho-da-índia

Porquinho-da-índia

Poético
Quando eu tinha seis anos Ganhei um porquinho-da-índia. Que dor de coração me dava Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão! Levava ele pra sala Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos Ele não gostava: Queria era estar debaixo do fogão. Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas . . . — O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada. Por Manuel Bandeira Assista também ao programa "Prosa e Segredos, Ontem, Hoje e Sempre, com Bosco Martins", pós-produção/texto e edição de Allison Ishy e pós-produção/edição de vinhetas e pílulas de Roque Martins, divulga o Documento Regional – Raridades com o programa Poesia Total I e II, pílula 2, onde o poeta e jornalista Bosco Martins declama poemas de sua autoria e de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira,
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Poético
Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconsequente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe - d’água. Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcalóide à vont
Manyphesto do cinema de vanguarda prymitiva

Manyphesto do cinema de vanguarda prymitiva

Poético
Vanguarda primitiva Regresso ao futuro Palavra-alma guarani Chamas & orvalho Origem própria original originalidade selvagem A fala dos loucos dando flores Todos os dialetos possíveis Inventados encantados alucinados Dialeto-rã Dialeto-pedra Dialeto-fogo Dialeto-bosta A beleza das coisas nunca vistas Adivinhação divinação divinare Em vez do plágio sutil Vidência O aproveitamento de todas as ancestralidades desprezadas Vanguarda primitiva: os dicionários de pedra, de areia, de água, de árvore O poeta lambe as palavras e alucina o idioma Para que o idioma volte a dar encantamento Um coração quente Com um olho de pássaro Você pode ver o mundo De modo diferente Vanguarda primitiva: Amor sem data de vencimento Invenção em vez de cópia Bárbara e nossa
Omissão

Omissão

Poético
Cada caso esquisito Que você me conta, mana (pior que de assombração!) Cada caso esquisito, mana De cortar o coração. Caso de criança Morrendo de fome Barriga d’água/febre amarela Verminose/tanta miséria Parece o Paquistão! Cada caso esquisito Que você me conta, mana (pior que de assombração!) Tanta favela/muita desgraça Só pobreza e sofreguidão! Cada caso esquisito Que você me conta, mana (pior que de assombração!) Caso de FEBEM Reformatório pra criança Quem disse que menino Precisa disso, mana Quem precisa são os “grandão”. Cada caso esquisito Que você me conta mana (pior que de assombração!) Caso de tortura De inocente apodrecendo na prisão Caso de trabalhador sendo preso Por não se submeterem a exploração Do seu “bom” patrão Caso de muita suje
Soneto I

Soneto I

Poético
Zoa ainda mistério das sombras Entre a solidão do céu, o infinito, Nefando clamor morrente nas alfombras, Ais, soluços que, das saudades é o grito! Imagem como num alvo sudário velada, Declino para ver passar este tétrico cortejo, Este místico funeral na imensa calada. Alvíssima passa ela, leve como o beijo, Levando em suas asas a diafanêz da lua, Vestida qual das aureolas o fulgor lampejo Esbranquiçando a noite com a luz sua, Sibilando a morte com os olhares dardejos. Chega-se ela e num sussurro me dia: Alegrias, venturas e felicidades não terás; Soluços apenas para o destino te fiz Tirando-te as alegrias que jamais reencontrarás Rosário de lagrimas serás sempre infeliz Onde quer que estejas, a saudade de abrigarás! Por Bosco Martins
Ao Poeta Maior

Ao Poeta Maior

Poético
Ao poeta maior que enfermo louvo não é agora a hora de deixar teu povo o corpo de toda sua poesia que esta em amar se aprende amando e se Quintana já dizia a todos aqueles que estão atravacando meu caminho eles passarão! você também passarinho. porque poeta pensas bem se agora é mesmo a hora de nos deixar sozinho sem seus versos que são e não são. Por Bosco Martins